O crédito rural, fundamental para o agronegócio brasileiro, enfrenta desafios diante do atual patamar elevado de juros, tema central da reunião do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Fiesp, realizada em 4 de maio. O encontro contou com a presença do ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, e discutiu as dificuldades que os produtores rurais enfrentam para acessar financiamentos adequados. A presidente do Cosag, senadora Tereza Cristina, destacou que as taxas de juros atuais são incompatíveis com a realidade do setor, que sofre com variações climáticas, preços baixos e custos elevados.
Segundo Tereza Cristina, "as taxas cobradas restringem o crédito, mesmo quando há garantias". Ela ressaltou que, em um cenário de incertezas climáticas e econômicas, juros mais adequados trariam maior previsibilidade e segurança para os produtores. A presidente do Cosag também apontou que o Plano Safra vigente não atende à demanda atual do agronegócio, sendo insuficiente para garantir o volume de recursos necessário para o setor. "É preciso ampliar a subvenção ao crédito para que o financiamento seja mais acessível", afirmou.
Outro ponto destacado foi a situação do seguro rural, que ainda não se consolidou no país. Tereza Cristina defendeu que o instrumento deve receber maior prioridade, mencionando uma proposta legislativa de sua autoria que prevê a criação de um fundo de catástrofe para cobrir perdas extremas. "Queremos ampliar a cobertura do seguro para incluir atividades como pecuária e pesca", explicou, ressaltando a importância de proteger os produtores contra riscos climáticos e econômicos.
O ministro André de Paula afirmou que o Ministério da Agricultura está comprometido em estruturar um Plano Safra robusto, capaz de atender às necessidades do setor. No entanto, ele destacou que o volume de recursos, isoladamente, não garante a efetividade do crédito rural. "O mais importante é assegurar juros que tornem o financiamento acessível ao produtor", disse o ministro, reforçando a necessidade de um sistema de crédito mais eficiente e coordenado entre as áreas do governo.
Durante a reunião, o ministro ouviu as demandas apresentadas pelos membros do Cosag e defendeu a construção de um sistema de crédito rural que atenda às reais necessidades do agronegócio. Para ele, o avanço depende de melhores instrumentos financeiros e de uma maior coordenação governamental. "Estamos comprometidos em atuar como interlocutores das demandas do agro dentro do Executivo para fortalecer a competitividade do setor", afirmou André de Paula.
Além do ministro e da presidente do Cosag, participaram do encontro representantes do setor privado, como Augusto Moraes, diretor da Corteva Agriscience, Janderson de Miranda Facchin, diretor financeiro e administrativo do Sicoob, e Pedro Fernandes, diretor de Agronegócio do Itaú BBA. Eles reforçaram a importância do diálogo entre governo e iniciativa privada para aprimorar o sistema de crédito rural e garantir maior eficiência no financiamento do agronegócio.
O cenário atual do crédito rural, marcado por juros elevados, tem dificultado o acesso dos produtores a financiamentos que possibilitem investimentos e a manutenção das atividades. A combinação de fatores como variações climáticas severas, preços baixos das commodities e custos elevados de produção agrava a situação, tornando o crédito um desafio para o setor. "Sem condições financeiras adequadas, o agronegócio perde competitividade e capacidade de crescimento", alertou Tereza Cristina.
A insuficiência do Plano Safra diante da demanda crescente do setor também foi tema de preocupação. O programa, que é a principal política pública de financiamento agrícola, precisa ser ampliado para atender às necessidades reais dos produtores. A subvenção ao crédito, que ajuda a reduzir os custos financeiros para os agricultores, deve ser fortalecida para garantir maior acesso ao crédito rural. "Ampliar a subvenção é fundamental para garantir o desenvolvimento sustentável do agronegócio", destacou a presidente do Cosag.
O seguro rural, apesar de ser um instrumento importante para mitigar riscos, ainda não alcançou a consolidação necessária no Brasil. A proposta de criação de um fundo de catástrofe e a ampliação da cobertura para outras atividades do setor são medidas que podem fortalecer a proteção dos produtores. "O seguro rural é uma ferramenta essencial para dar segurança aos agricultores e pecuaristas diante das adversidades", afirmou Tereza Cristina.
O ministro André de Paula reforçou que o governo está atento às demandas do setor e trabalha para oferecer soluções que tornem o crédito rural mais acessível e eficiente. A coordenação entre diferentes áreas do governo é vista como um caminho para melhorar o sistema de financiamento agrícola. "Queremos garantir que o crédito rural seja um instrumento de fortalecimento do agronegócio e da economia nacional", concluiu o ministro.
A participação dos representantes do setor privado na reunião do Cosag evidenciou a importância da parceria entre governo e iniciativa privada para superar os desafios do crédito rural. A troca de experiências e a construção conjunta de soluções são fundamentais para aprimorar o sistema financeiro do agronegócio. "O diálogo é essencial para criar políticas que atendam às necessidades reais dos produtores", afirmou Pedro Fernandes, diretor do Itaú BBA.
Em resumo, a reunião do Cosag destacou a urgência de ajustes no sistema de crédito rural brasileiro para garantir a sustentabilidade e o crescimento do agronegócio. Juros mais adequados, ampliação do Plano Safra, fortalecimento do seguro rural e maior coordenação governamental são pontos-chave para enfrentar os desafios atuais. O compromisso do Ministério da Agricultura e a participação ativa do setor privado são fundamentais para construir um ambiente financeiro mais favorável ao produtor rural.
Fontes: Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Fiesp, Ministério da Agricultura e Pecuária.